As mulheres entre 50 e 60 anos nasceram numa época de mudanças expressivas:
a reorganização do pós-guerra, a entrada maciça das mulheres no mercado de
trabalho, os movimentos feministas, o surgimento da pílula anticoncepcional,
o aumento de divórcios e de novas uniões, a expansão da expectativa de vida. É uma geração revolucionária, que quebrou muitos paradigmas e, agora, quer
reformular o conceito de envelhecimento. A aposentadoria está longe de ser
um “fim de linha”, a saída dos filhos de casa não conduz automaticamente à“síndrome do ninho vazio”: são novas oportunidades de realizar antigos
sonhos que não puderam ser concretizados ou convites para descobrir novos
rumos. A maturidade é a segunda idade adulta: apresenta oportunidades de
realizar antigos sonhos e descobrir novos rumos.
Embora permaneça o desejo de um grande amor, casamento e maternidade não são
mais o único destino desejável. Essa geração de mulheres quebrou o
estereótipo da “rainha do lar”, enfrentou a culpa por não cuidar dos filhos
e do marido em tempo integral, sobrecarregou-se com a “dupla jornada”.
Independentes, recusaram-se a permanecer num casamento insatisfatório,
enfrentando os preconceitos que discriminavam “as desquitadas”, renovando as
esperanças e se abrindo para novos amores, integrando os filhos das uniões
anteriores, construindo outras maneiras de viver como casal e como família
e, por outro lado, percebendo que é possível a mulher realizar-se plenamente
mesmo sem se casar e ter filhos. Com isso, construíram outras maneiras de
viver plenamente, fora dos padrões tradicionais.
Essas mulheres querem derrubar os preconceitos contra o envelhecimento e
combater a cultura do descartável, que joga fora tudo o que é antigo, desde
telefones celulares a relacionamentos. É uma geração que está acostumada a
se reinventar, que não se acomoda ao que está estabelecido, que está
disposta a correr riscos para efetuar as mudanças necessárias a uma vida
plena. São mulheres que se mostram cheias de vitalidade, energia,
sensualidade, capazes de amar e de serem amadas, que querem cuidar de sua
saúde física, mental e espiritual, que se sentem pessoas atraentes e capazes
de continuar contribuindo positivamente para a sociedade.
As enormes mudanças enfrentadas por essas mulheres não têm sido fáceis: se,
por um lado, sentem-se competentes por terem conquistado uma nova posição na
sociedade, por outro lado convivem com os preconceitos sociais dentro de si
mesmas. Assim foi com o sentimento de culpa por “trabalhar fora e deixar os
filhos com outras pessoas”; ou com o medo de se transformar em “mulher
fácil” por ter tido vários parceiros; e, agora, “sentir-se jovem demais para
ser velha”. Essa frase reflete o dilema de perceber que “jovem” tem uma
conotação socialmente positiva, enquanto que “velho” não tem. No entanto,
muitas mulheres dessa geração apreciam sua maneira de viver. O conceito de
velhice precisa ser modificado. Mas é preciso mais de uma geração para mudar
os preconceitos...
Tive a alegria de atuar como consultora, analisando os resultados de uma
pesquisa feita com 1.450 mulheres entre 50 e 64 anos em nove países, que
serviu de base para o projeto “Beleza Amadurece”, de Dove, empresa que tem
se dedicado a ampliar o conceito de beleza com o objetivo de quebrar os
estereótipos que aprisionam as mulheres em todas as faixas etárias. Quase a
totalidade das mulheres entrevistadas acredita que existem falsos conceitos
sobre mulheres com mais de 50, principalmente relacionados à sexualidade,
produtividade e aparência. Na mudança necessária da visão sobre o
envelhecimento o mais importante não é procurar ser jovem para sempre: é
preservar a vitalidade, a alegria de viver, a qualidade de vida nessa “segunda idade adulta”.