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COMO TRANSFORMAR OBSTÁCULOS EM CAMINHOS

Quando escolhi colocar esse subtítulo na edição revisada de Histórias da vida inteira pensei na minha própria estrada da vida e na de milhares de pessoas com quem tenho trabalhado há mais de três décadas: os “trechos de pedra” se referem ao esforço de encarar as dificuldades sem negar que elas existem e sem se deixar abater por elas. Ao contrário, olhá-las como desafios a serem enfrentados, com o firme propósito de transformar obstáculos em caminhos. Ou, em outras palavras, transformar problemas em recursos. Essa postura nos fortalece como pessoas, como membros de uma família e de uma equipe de trabalho.

Pensei também nos nossos obstáculos interiores: se nos olharmos como diamantes a serem lapidados, como podemos transformar nossas dificuldades em possibilidades de evolução pessoal? Desafiar os entraves da timidez e deixar de construir um “muro de proteção” que acaba conduzindo à solidão? Aprender a aparar as arestas de um temperamento impulsivo para deixar de ser “um barril de pólvora”? Descobrir “a diferença entre pensar leve e pensar pesado” para não ter “aquela nuvenzinha cinza em cima da cabeça?” Parar de criar complicações e confusões para evitar ser aquela “pessoa que é mais enrolada do que novelo de lã” ou que pensa que “o ataque é a melhor defesa”? Como deixar de ser uma “fábrica de problemas” para ser uma fábrica de soluções? Como aproveitar melhor as oportunidades que surgem superando a tendência de “jogar fora os presentes da vida”?

Essas e outras imagens compõem os textos do livro para estimular a reflexão que conduz à melhoria da qualidade de vida pessoal e de convívio na família e nas equipes de trabalho.

Coordenadores, gerentes e supervisores, para melhor exercerem sua função de manter equipes de trabalho motivadas e com boa produtividade, precisam encontrar caminhos para fazer vir à tona o que há de melhor nas pessoas. Quando estimulamos a equipe a “girar o caleidoscópio”, desenvolvendo a capacidade de ver as mesmas coisas de modos diferentes, conseguimos gerar novas idéias e nos tornamos mais criativos, inovadores. Diante dos conflitos e das dificuldades de relacionamento, podemos tentar entender melhor os diversos sentimentos, que revelam que todos nós “fazemos coisas de anjinho e de diabinho” a partir da cooperação, da solidariedade e também da inveja, da insegurança, da hostilidade.

É útil estar sempre atento ao que é preciso fazer para evoluir: às vezes é melhor “mudar de vaso” para encontrar mais espaço para crescer: Quantos de nós ficamos estagnados numa determinada equipe de trabalho e florescemos ao mudar para outra equipe ou outra empresa mais afinada com nossas características pessoais?

Não podemos mudar o passado, mas podemos escolher de que modo vamos olhar para ele. A maneira de olhar os acontecimentos determina se vamos viver bem ou mal. É preciso desenvolver a ousadia para fazer as mudanças necessárias, a criatividade para encontrar as saídas, e, desse modo, reescrever histórias da vida inteira que melhoram a qualidade do presente e a construção do futuro.