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Entrevistas

GRAVIDEZ PRECOCE PODE DAR INÍCIO A DIÁLOGO*

Na palestra sobre convivência familiar, a psicóloga Maria Tereza Maldonado destacou que as famílias se caracterizam pela menção ao errado, criando hostilidade nas relações. Drogas e gravidez precoce podem ser ponto de partida para diálogo, segundo Maldonado.

O diálogo na família é um processo que se desenvolve em várias etapas - desde a infância das crianças até a fase adulta, passando pela problemática da adolescência. Nesse processo, os pais se queixam da falta de diálogo e os filhos reclamam da falta de entendimento, se retraindo da conversa. Os diálogos nas famílias estão centrados nas críticas, o que provoca grandes danos na convivência familiar.

Essas são as conclusões da psicóloga Maria Tereza Maldonado, do Rio de Janeiro, que apresentou o tema "A arte da conversa e do convívio na família" num curso do Congresso Brasileiro de Pediatria, no centro de convenções Edson Queiroz, em Fortaleza. Ela explicou que as críticas e os elogios são necessários na formação da criança e do adolescente e que eles devem ser específicos, para não causar danos à auto-estima.

Maldonado explica que a família tem um ciclo vital, que inicia com os filhos na infância, quando a relação se baseia no cuidado dos pais. "Na adolescência, é preciso ampliar os temas da conversa", sugere a psicóloga, para criar canais de interesse comum, tornando os membros da família mais companheiros. Que uns saibam dos interesses dos outros para que não se tornem desconhecidos morando da mesma casa."

Uma situação real de risco pode representar uma mensagem do filho para os pais para que se tome uma atitude no sentido de alterar a convivência familiar. "O envolvimento do filho com drogas ou uma gravidez precoce pode ser um ponto de partida para a recomposição dos laços familiares. Para isso, é preciso que os pais não assumam o discurso da crítica demolidora - que fecha os canais da comunicação - e mantenha um diálogo aberto com o filho".

"O que causa ressentimento é a crítica generalizada, que atinge a pessoa de maneira depreciativa", diz Maldonado, acrescentando que "a crítica deve ser específica ao comportamento e à ação. A crítica deve atacar o problema e não a pessoa". Ela citou exemplos como o do filho que deixa a toalha molhada no chão do banheiro. Nesse caso, os pais não devem acusá-lo de ser "relaxado".Eles devem dizer que não gostam daquele comportamento e exigir a correção.

Segundo Maldonado, o mesmo deve acontecer com o elogio, que não deve ser generalizado, do tipo "você é linda", "você é inteligente", etc. Os pais devem elogiar as atitudes e ações corretas, como "A sua letra está linda nesse trabalho" e valorizar os pequenos progressos, que encorajam a criança e o adolescente a continuar se esforçando. Ela diz que uma das queixas mais comuns nos filhos é que os pais nunca elogiam as coisas certas. "As famílias se caracterizam pela menção ao errado, adquirindo um tom de hostilidade nas relações."

* Matéria publicada no jornal O Povo, Fortaleza, em 08/10/2000.>