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Entrevistas

Vivências do Envelhecimento: Síntese de Depoimentos
Maria Tereza Maldonado

No tempo dedicado ao preparo do material de "Maiores de 40- Guia de Viagem para a Vida" e "Lições de Vida para Maiores de 50", tive a oportunidade de conversar com muitas pessoas com "maisde50" e colhi depoimentos preciosos, revelando um grande painel de vivências do envelhecimento. Dependendo da maneira de olhar para a passagem do tempo, construímos nosso caminho, nos abrindo para as oportunidades de viver essa época com plenitude e serenidade ou, ao contrário, correndo o risco de vivermos "em morte", submersos em amargura, queixas e ressentimentos. O que se segue são frases pescadas de diferentes depoimentos, nas quais podemos vislumbrar essas possibilidades do envelhecer.

-Ela olhou o recém-nascido e sentiu uma lágrima silenciosa escorrendo pela face. Não encontrou palavras que expressassem a incrível emoção de ver o neto, ela, a avó recém-nascida.

-Depois de um casamento de 40 anos, ficou viúva. Passado o período de tristeza maior, experimentou uma liberdade de ir e vir que não queria mais perder. E pensou: "Marido, nunca mais!".

-Nem os filhos nem os netos conseguiam entender porque ela criou a mania de guardar tantos papeizinhos e cacarecos. Sofria menos com as perdas e com as angústias da morte colecionando fragmentos do passado.

-Aos 60 anos, viajou para uma ilha e lá descobriu uma praia de nudismo, cheia de gente de sua idade. Superado o constrangimento inicial, descobriu o gosto da liberdade de tomar sol e banho de mar sem roupa e sem vergonha de seu corpo.

-Ele dizia que não sabia onde estavam as alegrias da terceira idade: coração, fígado, coluna, até então silenciosos, começaram a "falar" de dores e amarguras.

-Aos 52 anos, pulou de pára-quedas pela primeira vez. Uma experiência de grande impacto: suspenso no ar, com sua solidão e seu silêncio, pensou nas situações da vida em que não existe a possibilidade de voltar atrás.

-Construiu a vida trabalhando apenas quando precisava de dinheiro, morando perto do mar, pescando para comer. Aos 60 anos, diz que continua aprendendo a viver mais com menos.

-Aos 70, pratica esportes, toma vitaminas, não bebe nem fuma. Não tanto por vaidade, mas pelo medo de adoecer e não ter quem dele cuide.

-Quando completou 50 anos, resolveu não fazer mais planos para o futuro, só para o presente.

-Falando do que acha bom e ruim de estar na casa dos 60, diz que bom é estar vivo, ruim é estar velho.

-Falando do que acha bom e ruim de estar com meio século de vida, diz que bom é a visão mais ampla da vida e ruim é a certeza de não poder realizar todas as metas.

-Com o envelhecimento, sua maior descoberta foi o limite da vida: a sensação de finitude, que o impede de perder tempo.

-Aos 70 anos, sua grande alegria era viajar para conhecer lugares novos e não ter que se preocupar em preparar a comida.

-Diz que, com a idade e o crescimento dos filhos, passou a ter mais paciência para aturar as "pirraças" do marido.

-Separada, com 59 anos, sobrevive com a força e a coragem. Livre e feliz com os filhos criados, adora namorar escondido.

-Ao ficar viúva, descobriu que é capaz de administrar a vida solitária sem sentir solidão.

-Com 67 anos, sente inveja das amigas que já têm bisnetos.

-Fazendo um balanço de sua vida, encontrou equilíbrio entre perdas e ganhos: não tem mais mãe, pai, irmãos, marido; mas tem filhos, amigos e amores.

-Diz que, às vezes, quando se olha no espelho, sente saudade de seu rosto de moça.

-Com 40 anos de casada, sente o amor crescendo com o tempo, aprofundando uma união em que um precisa do outro, se apoiam, se acompanham.

-Aos 80 anos, o que mais desejava ganhar era um novo par de pernas.

-A aposentadoria lhe trouxe a oportunidade de aprender a cuidar de plantas. Fazendo jardins, compreendeu, de modo mais profundo, todo o ciclo de nascer, crescer, morrer e renascer transformado.

-Tinha tanto ciúme da filha de 20 anos que nem dava os recados dos rapazes que ligavam para ela.

-Com 57 anos, já tinha passado por todos os estados civis: solteiro, casado, separado, recasado, viúvo. Diz que, agora, só quer saber de namorar e aproveitar a paz que encontra entre discos e livros.

-Quando tinha 55 anos, morreu seu filho, vítima de uma doença incurável. Sofreu de modo indizível, até que decidiu transformar parte desse sofrimento em ajuda a outros que sofrem do mesmo mal.

-Fechado nas próprias certezas, criticava todos que pensavam e agiam diferente dele. Assim foi construindo uma profunda solidão.

-Falava para o filho de 46 anos: Você pensa que a vida é só trabalhar? Depois morre, ó, fica tudo aí...

-Ao fazer o balanço da sua vida, pensou: Por que tanta renúncia, sempre girando em torno do marido egoísta, que só pensava nele? E seus próprios sonhos, arquivados, o que fazer com eles?

-Aos 85 anos, já não conseguia achar graça em coisa alguma. Sentia a vida se escoando, monotonamente, entre as três refeições de cada dia.

-Chegando aos 60, ressente-se porque o corpo não está tão ágil: não consegue andar pelas pedras do rio como antigamente.

-Achou chocante ver o filho ficando careca e perceber os primeiros fios de cabelo branco em sua filha.

-Aos 55, tratando da aposentadoria, ele pensa que rumo tomar em outro trabalho. Compreende a filha, com 17, também angustiada com a escolha do caminho profissional, ao se preparar para o vestibular.

-Arrasta um casamento há 25 anos, sente-se infeliz, mas não tem coragem de sair, com medo de que a vida fique ainda pior. É o medo vestido de esperança.

-No "baile de debutantes da terceira idade", ela se sentiu uma verdadeira mocinha de 15 anos.

-Sente-se muito coerente, sem mudar de preferência: dos 15 aos 50, nunca deixou de gostar de homens de 25 anos.

-Quando completou 60 anos, passou a definir-se como "sexygenário".

-Via a mulher ir para os grupos de convivência da terceira idade, ficava de mau-humor, sem se animar a sair de casa e a atacava com seus próprios preconceitos: "E aí, vai para a reunião do asilo?"

-Com 60 anos, sentiu-se muito machucada com a separação do marido, que não aceitou sua idade e a trocou por outra bem mais jovem. A duras penas, conseguiu aprender a viver em paz, com os filhos, os netos e sua fé.

-Com a viuvez, encarou um momento de decisão: ou enfrentava tudo que era preciso, buscando forças para vencer desafios e obstáculos, ou afundava. Decidiu lutar.

- Em sua "festa de meio século", ficou chocada com a reação de algumas pessoas, que ficaram constrangidas de lhe dar parabéns, embora não fizessem a menor cerimônia de lhe prevenir sobre as prováveis doenças da idade.