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A interação entre água, areia, sol e vento formam paisagens mutantes, como essa que fotografei nos Lençóis Maranhenses.

A interação entre água, areia, sol e vento formam paisagens mutantes, como essa que fotografei nos Lençóis Maranhenses.

“Você é burro”! – é um comentário muito comum nas brigas entre colegas de turma. Entre irmãos também. É a oportunidade de refletir, no ambiente da casa e da escola, sobre o fato de que todos nós somos competentes para algumas coisas e incompetentes para várias outras.

“Sou tímido”! – é um rótulo que muitas pessoas colocam em si mesmas. “Em que situações você não é tímido”? Esta é uma pergunta que nos faz pensar sobre polaridades. Ninguém é tímido, extrovertido, impaciente, bondoso, solidário ou egoísta o tempo todo. O fato de que algumas características se sobressaem em cada um de nós não exclui a possibilidade de, em determinadas circunstâncias, manifestarmos o outro extremo da polaridade.

Quem se fecha em definições muito rígidas de si mesmo e dos outros não consegue perceber os matizes da humanidade de todos nós. Vê e critica defeitos nos outros que não consegue enxergar em si mesmo. Ou, quando a autoestima está baixa, enaltece seus ídolos e deixa de enxergar as próprias competências.

“Eu sou eu e minhas circunstâncias” é uma conhecida frase do filósofo José Ortega Y Gasset. Na visão sistêmica, sabemos que nosso comportamento sofre variações de acordo com o contexto no qual estamos inseridos em um determinado momento. “Quando a mãe do amiguinho do meu filho disse que lá ele comeu de tudo e até ajudou a lavar a louça nem acreditei! Aqui em casa ele só come arroz, feijão e carne moída, e não colabora com coisa alguma, nem quando eu peço”! – Esse é um comentário comum, que mostra diferentes facetas de nós mesmos, de acordo com o cenário. “Em casa, é limão azedo, sempre reclamando e criticando tudo e todos, no trabalho é adorado pelos colegas, solícito e bem-humorado”. É outro comentário comum que mostra o quanto somos uma “pizza de vários sabores”!

“Eu sou assim” é uma afirmação que não reflete a realidade de que temos polaridades. Essa frase costuma ser dita por quem não está interessado em mudar, quer apenas que os outros o aturem do jeito que ele acha que é. Mas a percepção de nossos diferentes “sabores” nos permite trabalhar intencionalmente as características que mais queremos desenvolver em nós mesmos. E isso pode acontecer em qualquer época da vida.