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Contemplar obras de arte e também a arte da natureza é um exercício do olhar (Fotografei em um museu em NY).

Podemos fazer da nossa vida uma obra de arte – assim definiu uma participante do grupo de conversa sobre esse tema. Como “esculpimos”, “pintamos” ou “compomos” cada dia?

Como despertamos a cada manhã? Com um mau-humor tenebroso, reclamando por ter de enfrentar mais um dia do trabalho ou da escola que odiamos? Como mais uma sequência de rotinas entediantes? Como mais um dia igual aos outros, depois que nos aposentamos, sem construir novos projetos ou interesses?

Consideramos cada dia como mais uma oportunidade? Para isso, é preciso nutrir a curiosidade, que nos permite explorar novas possibilidades, criar coisas novas, desenvolver talentos até então inexplorados.

Podemos desenvolver a atenção plena, segundo os princípios de “Mindfulness “: exercitar o foco de atenção no aqui e agora, evitando estragar o dia com ansiedades em relação ao futuro ou lamentações e frustração com o que passou. O que, na verdade, temos para viver é o momento presente. Podemos exercitar nosso olhar para captar a beleza das pequenas coisas do cotidiano, da natureza ao nosso redor, e não apenas para contemplar obras de arte nos museus.

Com o que estamos contribuindo para a coletividade? Há muitos jovens que, desde o início de sua vida profissional, buscam uma vida com propósito, para sentir que podem colaborar para que tudo funcione melhor. No mundo complexo, instável e imprevisível no qual estamos vivendo, é importante que famílias e escolas consigam educar as crianças desde cedo para a cooperação, promovendo a ética e os valores que sedimentam a boa convivência.

Viver com arte é tecer conexões, incentivar a colaboração para o bem-estar coletivo, “bordar” cada dia com esmero, valorizando os detalhes, saboreando os bons momentos. É deixar florescer a sensibilidade, o afeto, a intuição, abrir outros canais da mente e dos sentimentos, perceber sutilezas e matizes, encontrar a poesia no cotidiano, “enfeitar” a rotina para que ela não se transforme em tédio e em “mais do mesmo”.