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Medo e insegurança se mesclam com o entusiasmo de aprender a dar os primeiros passos.

Em uma transmissão ao vivo, houve comentários interessantes sobre o tema dos primeiros passos que experimentamos cada vez que entramos em um território novo que demanda aprendizagem e inclui um período inevitável de insegurança, tentativas frustradas e muitos erros.

Como a grande maioria das pessoas, não me lembro como dei os primeiros passos quando comecei a andar, pouco antes de completar um ano de idade. Porém, mesmo sem lembrar conscientemente, essa é uma experiência marcante na vida de todos nós. Passamos a ver o mundo em outras perspectivas, exploramos o espaço, ampliamos nossos horizontes, dando início ao processo de locomoção independente. No outro extremo da vida, há os que perdem essa possibilidade quando, em idade avançada, apresentam problemas de mobilidade a tal ponto que literalmente mal conseguem andar com os próprios pés. Torna-se necessária outra adaptação, no sentido de aceitar a perda da independência e a necessidade de receber assistência.

Observar bebês nesse processo de dar os primeiros passos, contando com o suporte e o encorajamento dos adultos, revela padrões diferenciados. Inevitavelmente, ao tentar se equilibrar nos dois pés a criancinha cairá muitas vezes: há as que sentam, choram e demoram a tentar de novo, com medo de novas quedas; há as que, a cada queda, se levantam e renovam sua disposição de aprimorar a nova competência. É emocionante constatar a alegria dos momentos em sentem que estão conquistando um novo espaço.

O processo de dar primeiros passos acontece muitas vezes na vida de todos nós: andar de bicicleta, aprender a ler e a escrever, aventurar-se no primeiro amor, iniciar nova etapa de estudos, o primeiro emprego, formar um relacionamento amoroso, ter filhos. Quando perguntei sobre primeiros passos marcantes na vida de quem estava assistindo a transmissão ao vivo sobre esse tema, alguns responderam: quando mudei de cidade, com o divórcio, com a viuvez, quando decidi fazer uma nova faculdade e mudar de carreira. Eu mesma comentei que, aos 70 anos, estou dando os primeiros passos como empreendedora digital, organizando meus cursos online.

Medo, insegurança e incerteza fazem parte desse processo, juntamente com o entusiasmo de aprender coisas novas e o gosto pelo desafio de abrir caminhos.

Porém, encontramos padrões diferentes quando pensamos nessa disposição de dar os primeiros passos. Há os que se assustam com as mudanças e evitam escolher caminhos diferentes dos habituais. Acomodam-se ao território conhecido, mesmo quando está insatisfatório. Outros são ousados e até impulsivos, mergulham de cabeça nas experiências novas e, com isso, pode faltar o planejamento adequado e a dose de cautela que evitam problemas e reduzem o risco do empreendimento.

É possível observar esses padrões em crianças e adolescentes. “Meu filho tem medo de coisas novas”, “acha que não vai conseguir e aí desiste ou fica paralisado”. São comentários que ouço com frequência nas consultorias. Costumo orientar para rever com a própria criança as situações em que aprendeu uma nova habilidade e superou o medo de não saber. “Lembre como foi difícil para você aprender a escrever” (ou ler, andar de velocípede, e outras tantas ocasiões que podem ser ilustradas com fotos ou vídeos da época). O importante é refletir que, diante de cada novo desafio, o medo de não conseguir poderá ser melhor enfrentado ao relembrar situações de conquistas passadas.